A (necessária) arte do encontro
Os encontros revelam-nos sempre o nosso lugar no tempo e na história, desde que estejamos disponíveis para o movimento. Vamos para o encontro como somos e vamos como estamos. Muitas vezes estamos de ego tão exacerbado e de alma tão conturbada que apenas nos transportamos para os encontros, como caixas fechadas e vociferando impressões, sem nada ouvir e receber de quem nos rodeia. A autorreferencialidade retira-nos a capacidade de nos vermos a nós mesmos, pois só o sermos vistos por um outro nos devolve – naquele tempo e lugar – o peso e a medida do nosso ser. A teia de relações e de encontros (e nós em movimento) recria-nos e saímos reinventados em cada permuta, descobrindo em nós luzes que levávamos e não víamos, e dando nós, com o nosso olhar, vigor e alento ao que parecia adormecido. No tempo, vamos descrevendo interiormente esse peregrinar que parece tão óbvio, de substituir sonhos por experiências e estas a dar-nos, de forma encapotada ou nem por isso, o tom outonal de quem ...