PRODUTIVIDADE EM PORTUGAL: A QUADRATURA DO CÍRCULO

 Um dos enigmas do nosso país tem a ver com a ausência de relação entre produtividade e qualificação. A regra diz que uma maior produtividade corresponde a uma maior qualificação: as pessoas mais qualificadas produzem mais. Em Portugal isso não acontece.

Um estudo da FFMS acabado de publicar (cuja leitura é muito recomendável) vem confirmar essa estranha realidade portuguesa: em 2000 havia 9% de licenciados e, no ano de 2020, há 30% de licenciados. No entanto, esse aumento de qualificação no mercado de trabalho não se refletiu no aumento da produtividade, sendo Portugal o 7º país da EU que gera menos riqueza por cada hora de trabalho (ver aqui).

Em busca dos porquês deparamo-nos com empresas|instituições presas a metodologias obsoletas e a um elevado nível de rotinização.

Encerradas em tarefas rotineiras, das quais aparentemente não conseguem sair, as pessoas perdem a capacidade de inovar, de crescer e de fazer crescer. Sem mais horizonte do que o de uma cadeia previsível (e estática) de trabalho, com poucas ou nenhumas alternativas, submetem-se a essa dura sina de aguentar a rotina sem lhe acrescentar valor, por ausência de possibilidade.

Porque as maiores qualificações levam as pessoas a gerar processos eficientes, a acabar com a obsolescência, a simplificar procedimentos, a inovar, a crescer pessoalmente e a fazer crescer as suas equipas e comunidades. A consequência é o aumento da produtividade e, desta, o aumento da riqueza.

É, pois, descabido, manter-se o foco a jusante, na dura realidade de sermos o país da Europa ocidental com os salários mais baixos (ver aqui), quando não se olha o que se passa a montante, na baixa produtividade que, se fosse alta, resolveria a questão salarial.

Nem podemos achar que, subindo os ordenados por decreto, se altera a situação de base: um paternalismo endémico que alastra e teima em permanecer, sufocando os recursos e não lhes permitindo brilhar e fazer crescer.  

Este não é um problema apenas económico, é um problema ontológico que é preciso superar, pessoal e coletivamente. Todos somos parte deste processo, do qual não nos podemos demitir, sob pena de não nos cumprirmos como pessoas.

Todos os dias podemos e devemos questionar-nos se no que fazemos deixamos rasto, o rasto do melhor de nós, onde quer que estejamos. O melhor de nós é sempre criativo, gera soluções e paz social, ainda que em pequenos passos. Não deixemos de os dar.  

Nov 21

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Onde menos se espera, aí está Deus

Transformados pela espera

CIDADÃOS ATENTOS, PRECISAM-SE